O Brasil está a apenas um mês do risco de apagões

A nota técnica do Operador Nacional do Sistema (ONS) alerta que a situação é muito grave e que é urgente aumentar a geração de energia sob risco de cortes a partir de outubro.

São Paulo durante o apagão de 2009.

O sistema elétrico está a pouco mais de um mês de distância da queda de energia e do colapso do país. Como a MetSul detalhou em sua análise, o chamado Sistema Interligado Nacional é agravado pela escassez de chuvas no país, e a preocupante falta de luz parece ser cada vez mais real.


De acordo com nota técnica emitida pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), a partir deste mês de setembro, o sistema elétrico requer em média 5,5 GW adicionais de geração de energia para evitar cortes em outubro e novembro.


Especialistas entrevistados pelo repórter Luciano Costa, especialista em energia do Scoop, relataram que “a situação é extremamente crítica” e há um risco real de desligamento. Os especialistas acreditam que o operador nacional pode ser forçado a realizar cortes regionais de carga e cortes de energia em diferentes partes do país para evitar cortes de energia no Brasil inteiro.



A pedido do Ministério de Minas e Energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico emitiu nova nota técnica que contém informações sobre as condições do Sistema Interligado Nacional (SIN) até novembro. Após observar que a precipitação de chuva foi menor do que a agência havia previsto em análises anteriores (principalmente no sul do Brasil), uma revisão foi necessária.




O cenário hidrológico utilizado é baseado nas condições atuais do solo, na precipitação prevista para os próximos 45 dias e na precipitação verificada de 2020 até o presente momento.


Mesmo assim, como o total de chuvas previsto pelo ONS no estudo anterior não foi confirmado, e o volume de água observado em 2021 foi inferior ao verificado em 2020, principalmente nas bacias do Sul do Brasil, a afluência foi menor que a anterior descrição técnica.


Chuva ficou muito abaixo do normal nos últimos seis meses no Centro-Sul do Brasil, especialmente nas bacias dos rios Paraná e Iguaçu que garantem a maior parte da geração hidrelétrica nacional | NOAA

A escassez de chuvas causou uma queda de aproximadamente 10 pontos percentuais em relação ao nível inicial em agosto, que foi aproximadamente 10 pontos percentuais abaixo do nível indicado na nota de julho. De agosto a novembro, a Energia Natural Enriquecida (ENA) do SIN diminuiu aproximadamente 2.000 MWmed.


De acordo com o modelo aplicado anteriormente, ao se preparar para a revisão da pesquisa, o operador traçou dois cenários. Primeiramente, os principais reservatórios da Bacia do Rio Paraná atingiram o final da estação seca, ou seja, em outubro, com baixos níveis de armazenamento de água.


Mesmo levando em consideração essa situação mais desfavorável, mesmo que os recursos hidráulicos do subsistema Sudeste / Centro-Oeste sejam totalmente aproveitados, a faixa limite da usina da Bacia do São Francisco é atingida, e o despacho de calor e transferência de energia na parte norte do subsistemas são suficientes / Nordeste a Sudeste / Nas regiões Centro e Oeste, os recursos são insuficientes para atender o mercado de energia e novas medidas precisam ser tomadas no curto prazo.


No segundo cenário do ONS, os serviços de energia são viabilizados pela combinação de recursos adicionais com ganhos de armazenamento e eliminação de possíveis déficits de geração de energia.


Portanto, a operadora nacional do sistema enfatiza que, para garantir o atendimento da demanda, do próximo mês até novembro, a oferta deve ser ampliada em cerca de 5,5 GWmed.


Finalmente, em um comunicado, o operador do sistema nacional descreveu a atual situação delicada de energia do país como "sensível" e a situação hídrica do Brasil neste momento como uma das piores afluências dos últimos 91 anos no Sistema Interligado Nacional (SIN).




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